O mercado ilegal no Brasil atingiu recorde em 2025 e gerou prejuízo estimado em R$ 473,2 bilhões, segundo levantamento do FNCP (Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade).
O que aconteceu
FNCP estimou que perdas provocadas por contrabando, falsificação e pirataria afetam 15 setores produtivos. O montante reúne R$ 326,3 bilhões em perdas diretas da indústria e R$ 146,8 bilhões em evasão fiscal.
Na série histórica do levantamento, valor de 2025 é o maior patamar registrado. A evolução anual apontada pelo FNCP indica perdas de R$ 468 bilhões em 2024 e de R$ 441 bilhões em 2023.
Perdas do Brasil com mercado ilegal
Prejuízo de 15 setores produtivos + sonegação
Entre setores mais afetados, vestuário e bebidas alcoólicas lideram perdas estimadas. O FNCP aponta prejuízo de R$ 87,3 bilhões no vestuário e de R$ 83,2 bilhões em bebidas alcoólicas, seguidos por combustíveis (R$ 29 bilhões) e material esportivo (R$ 23,3 bilhões).
Outros segmentos citados com perdas relevantes incluem higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (R$ 21 bilhões) e defensivos agrícolas (cerca de R$ 20,6 bilhões). O levantamento também lista ouro (R$ 12,7 bilhões), TV por assinatura (R$ 12,1 bilhões), óculos (R$ 11,4 bilhões) e cigarros (R$ 10,5 bilhões).
| Setor | Valor do Mercado Ilegal |
| Vestuário | R$ 87.360.000.000 |
| Bebidas alcoólicas | R$ 83.200.000.000 |
| Combustíveis | R$ 29.000.000.000 |
| Material esportivo | R$ 23.300.000.000 |
| Higiene pessoal, perfumaria e cosméticos | R$ 21.000.000.000 |
| Defensivos agrícolas | R$ 20.250.000.000 |
| Ouro | R$ 12.750.000.000 |
| TV por assinatura | R$ 12.100.000.000 |
| Óculos | R$ 11.430.000.000 |
| Cigarros | R$ 10.500.000.000 |
| Celulares | R$ 8.000.000.000 |
| Audiovisual (filmes) | R$ 4.000.000.000 |
| Perfumes importados | R$ 1.552.000.000 |
| PCs | R$ 850.000.000 |
| Brinquedos | R$ 700.000.000 |
Impacto na arrecadação
FNCP afirma que expansão da ilegalidade afeta arrecadação tributária e limita capacidade de investimento público. A entidade também diz que o avanço do mercado ilegal fortalece estruturas do crime organizado.
Presidente do FNCP, Edson Vismona, classificou cenário como um problema estrutural. “Estamos diante de um problema estrutural, que vai muito além dos efeitos econômicos. A combinação de alto lucro e baixo risco tem ampliado o interesse das organizações criminosas pelo mercado ilegal, que hoje funciona como importante fonte de financiamento dessas redes”, afirmou.
Trata-se de esquemas que alimentam o caixa das facções, sustentam estruturas armadas, viabilizam a expansão de suas operações e reforçam o controle territorial em diversas regiões do país.
– Edson Vismona, presidente do FNCP
Recorte do levantamento destaca o cigarro ilegal como um dos principais produtos associados a esse cenário. Pesquisa do Instituto Ipsos Ipec citada pelo FNCP estima que, em 2025, facções criminosas fizeram circular cerca de 32 bilhões de unidades de cigarros ilegais no Brasil, com movimentação de R$ 10 bilhões para o crime organizado.
Evasão fiscal associada ao cigarro ilegal foi estimada em R$ 8,5 bilhões em 2025. O levantamento indica ainda que 31% dos cigarros vendidos no país são ilegais e que uma marca contrabandeada do Paraguai, a Eight, aparece como a terceira mais vendida no Brasil, com 10% do mercado.
FNCP aponta que combinação de alta demanda, facilidade de transporte e margens elevadas favorece expansão do cigarro ilegal. A entidade afirma que o risco é relativamente menor quando comparado a outros ilícitos, o que aumenta o interesse das organizações criminosas.
Dados da Receita Federal citados no documento indicam aumento no valor das apreensões. Entre janeiro de 2026 e o mesmo mês de 2025, a alta foi de 22%, e apenas em janeiro de 2026 foram retidos R$ 61,5 milhões em maços ilegais no país.




