Entidade diz que alta do IPI pode estimular mercado clandestino e reduzir arrecadação
A Abifumo se manifestou contra o recente aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre cigarros, anunciado pelo Ministério da Fazenda, e afirmou que a medida pode estimular o crescimento do mercado ilegal no país. Em nota, a entidade destacou que a elevação da carga tributária sobre o produto legal tende a pressionar consumidores e favorecer a migração para o comércio clandestino.
Segundo a associação, dados de estudos sobre o setor indicam que aumentos anteriores de impostos tiveram efeito direto na expansão da ilegalidade. Após a alta tributária em 2012, por exemplo, a participação do cigarro ilegal teria saltado de 34% em 2013 para 57% em 2019, quando a evasão fiscal superou a própria arrecadação do segmento.
A Abifumo também cita levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado em 2025, que aponta relação entre o crescimento do mercado ilegal e o aumento de outros crimes no país.
Atualmente, conforme dados do Ipec mencionados pela entidade, o cigarro ilegal representa cerca de 31% do mercado brasileiro. Para a Abifumo, qualquer discussão sobre tributação precisa considerar fatores como o controle de fronteiras e o combate às organizações criminosas que atuam nesse setor.
O aumento
O aumento do imposto faz parte de um pacote do governo federal para compensar a perda de arrecadação com a isenção de tributos sobre o querosene de aviação (QAV) e o biodiesel, adotada em meio à alta dos combustíveis influenciada pelo cenário internacional. A alíquota do IPI sobre cigarros subirá de 2,25% para 3,5%, elevando o preço mínimo da carteira de R$ 6,50 para R$ 7,50. A estimativa da equipe econômica é arrecadar cerca de R$ 1,2 bilhão em dois meses.
Leia na íntegra a nota da Abifumo
A Abifumo (Associação Brasileira da Indústria do Fumo) vem a público destacar que o recente ajuste no IPI de cigarros anunciado pelo Ministério da Fazenda acende um alerta crítico para a economia e a segurança pública no Brasil. A sobrecarga fiscal sobre o produto legal resulta em estímulo direto ao mercado ilegal.
Dados do estudo “Elasticidades do mercado de cigarros brasileiro” comprovam essa correlação: após o aumento desproporcional de tributos em 2012, a participação do cigarro ilegal saltou de 34% (2013) para um pico histórico de 57% em 2019. Naquele ano, a evasão fiscal superou a própria arrecadação do setor, evidenciando que o consumidor, pressionado pelo preço, migra para o mercado clandestino, amplamente disponível e sem controle regulatório. Estudo da FGV divulgado em 2025 aponta também que cada ponto percentual de avanço no mercado ilegal de cigarros corresponde a ocorrência de 5 mil outros crimes no Brasil.
Para a Abifumo qualquer análise sobre o setor exige um olhar atento à problemática do mercado ilegal, que atualmente corresponde a 31% (Ipec 2025). Ignorar o cenário de fronteiras e a facilidade de acesso ao produto irregular é dar espaço para o crescimento da violência e das organizações criminosas que financiam o mercado ilegal no país.




