Indústria do fumo critica alta do IPI sobre cigarros

Abifumo diz que ‘sobrecarga fiscal’ pode resultar em estímulo ao mercado ilegal. Medida foi adotada pelo governo Lula para compensar renúncia com PIS/Cofins sobre combustíveis

A Abifumo (Associação Brasileira da Indústria do Fumo) criticou o aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre cigarros, anunciado nesta segunda-feira (6), e afirmou que a decisão do governo do presidente Lula (PT) “acende um alerta crítico” para a economia e a segurança pública.

A estimativa do governo é arrecadar R$ 1,2 bilhão extra neste ano com a mudança. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o objetivo é compensar a renúncia de receitas com a redução do PIS/Cofins sobre o querosene de aviação e o biodiesel, medida anunciada para tentar minimizar os efeitos da guerra no Irã sobre os preços no mercado doméstico.

Em nota, a Abifumo afirma que uma sobrecarga fiscal sobre o item pode resultar em estímulo direto ao mercado ilegal, considerando que 31% dos cigarros vendidos no Brasil são ilegais, segundo pesquisa Ipsos-Ipec encomendada pela entidade.

“Ignorar o cenário de fronteiras e a facilidade de acesso ao produto irregular é dar espaço para o crescimento da violência e das organizações criminosas que financiam o mercado ilegal no país”, afirma a Abifumo.

O comunicado também cita o estudo “Elasticidades do mercado de cigarros brasileiro”, da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), que, de acordo com a associação, mostra que a participação do produto ilegal passou de 34% em 2013 para 57% em 2019, após o aumento de tributos em 2012.

“Naquele ano, a evasão fiscal superou a própria arrecadação do setor, evidenciando que o consumidor, pressionado pelo preço, migra para o mercado clandestino, amplamente disponível e sem controle regulatório.”

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