OPINIÃO – Sonhos, protagonismo e oportunidades: projetos de vida de jovens rurais
Por: Débora Berghahnn, orientadora pedagógica do Instituto Crescer Legal Sonhar representa a capacidade de imaginar, planejar e analisar possibilidades. Envolve criatividade e sentido para a vida, com um olhar voltado ao futuro. Dialogar e refletir sobre sonhos, conectando-os…

Por: Débora Berghahnn, orientadora pedagógica do Instituto Crescer Legal
Sonhar representa a capacidade de imaginar, planejar e analisar possibilidades. Envolve criatividade e sentido para a vida, com um olhar voltado ao futuro. Dialogar e refletir sobre sonhos, conectando-os às reflexões e pesquisas referentes aos projetos de vida, evidencia, no contexto dos jovens, a pluralidade de realidades nas quais estão inseridos e com as quais se relacionam.
No Programa de Aprendizagem do Instituto Crescer Legal, as atividades diárias, organizadas em oficinas dentro do curso realizado pelos jovens, vêm ao encontro das reflexões sobre a importância de sonhar, pensar no futuro, gerir e fazer escolhas. Nesse processo, destaca-se a observação do espaço onde se vive, o reconhecimento de si como parte desse espaço, a redescoberta da própria identidade e a ampliação da visão quanto às oportunidades de empreendedorismo no meio rural. A construção dos projetos de vida dialoga com a história familiar, a realidade do meio rural, o incentivo ao protagonismo e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais.
Sob a orientação dos(as) educadores(as) sociais, os jovens dialogam, planejam e exercitam a gestão, culminando em momentos especiais, como os Seminários de Mostra de Projetos Finais (Projetos de Vida). Nessa organização, os jovens exercem o papel de protagonistas, tornando-se autores, pesquisadores e planejadores do próprio caminho. Ao longo desse percurso, a iniciativa e o protagonismo ganham destaque: pensar, decidir, pesquisar, dialogar, organizar, trabalhar em equipe, exercitar a fala e a escuta ativa, avaliar e partilhar conhecimentos tornam-se práticas formativas. O protagonismo, nesse sentido, não é apenas um incentivo, mas um exercício cotidiano de autonomia e responsabilidade. As famílias e os parceiros também são elementos importantes nesse percurso, atuam como rede de apoio no processo de reflexão e tomada de decisões.
Os seminários evidenciam o protagonismo e a visão de oportunidades. Nesses momentos, os jovens aprendizes são convidados a analisar recursos, desafios, oportunidades locais, demandas por inovação e a reconhecer que é possível empreender no meio rural.
A oportunidade de dialogar com os jovens durante suas apresentações nos seminários configura-se como momentos de escuta ativa, trocas de experiências, compartilhamento de dúvidas e reflexões coletivas. Cada apresentação fortalece a capacidade de escolha dos jovens e reforça a compreensão de que os projetos de vida não são produtos finais, mas construções em movimento contínuo e dinâmico. Destaca-se, ainda, a diversidade de possibilidades apresentadas, que abrangem desde a diversificação da propriedade e melhorias na sua estrutura até empreendimentos e escolhas de carreira profissional, entre outros projetos.
Nesse processo, torna-se evidente a importância da permanência nos estudos como um caminho essencial para o desenvolvimento da autonomia, a ressignificação de trajetórias e a sustentação de escolhas mais conscientes ao longo da vida. Para esses jovens, o curso não se encerra com a apresentação nos seminários e a certificação, mas com a certeza de que podem seguir sonhando, planejando, empreendendo e cultivando futuros possíveis para si, para suas famílias, para suas comunidades e para o mundo.
Assim, trabalhar projetos de vida é reafirmar o direito de existir com propósito, esperança e oportunidades.
Débora Berghahnn
Orientadora pedagógica do Instituto Crescer Legal