Câmara Setorial do Tabaco debate cenário da safra, exportações e ações estratégicas para o setor

Ação aponta que proibição atual falha em conter o uso, estimula o contrabando e gera gastos bilionários para o SUS

Julho 2026 – A 80ª Reunião Ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco foi realizada nesta quarta-feira, 15 de julho, reunindo representantes das principais entidades do setor para discutir o cenário da produção, o desempenho das exportações e as ações desenvolvidas ao longo do ano. Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente da Câmara Setorial, Romeu Schneider, em formato híbrido.

A atualização da safra 2025/2026 foi tema de relato do presidente da Afubra, Marcílio Drescher, que destacou a ampla distribuição da cultura do tabaco na Região Sul. Dos 1.191 municípios dos três estados, 528 registraram produção de tabaco na safra 2025/2026. O Rio Grande do Sul concentra o maior número de municípios produtores (205), seguido por Santa Catarina (188) e Paraná (135), evidenciando a relevância econômica e social da atividade para centenas de comunidades rurais da região.

Drescher também informou o status da comercialização da safra 2025/26. Até 11 de julho, 91,7% do tabaco produzido na Região Sul havia sido comercializado. O índice varia entre os estados, alcançando 99% no Paraná, 98,1% em Santa Catarina e 82,7% no Rio Grande do Sul. No mesmo período da safra anterior, a comercialização já atingia 98,8%, indicando um ritmo mais lento neste ciclo.

[Ver anexo: Imagem 1 – Percentual de tabaco Comercializado até o dia 11-07-2026]

O presidente da Afubra também apresentou um comparativo entre volumes produzidos e valores pagos aos produtores nas últimas safras. Em relação ao tabaco Virgínia, principal variedade produzida no Brasil, a estimativa para a safra 2025/2026 é de 620 mil toneladas, volume inferior às 648 mil toneladas registradas no ciclo anterior, mas acima da produção de diversas safras recentes. A apresentação da Afubra também mostrou que o preço médio pago ao produtor segue em patamar historicamente elevado. Após atingir o recorde de R$ 23,52 por quilo na safra 2023/2024, o valor recuou para R$ 20,56 na safra 2024/2025 e está estimado em R$ 19,25 por quilo no ciclo atual, permanecendo, ainda assim, significativamente acima dos níveis observados em safras anteriores.

[Ver anexo: Imagem2 – Evolução da Produção Virgínia]

Já a série histórica do tabaco Burley evidencia uma relação inversa entre produção e preços. Nas primeiras safras, entre 2011/12 e 2014/15, a produção manteve-se elevada, variando entre 85 e 97 mil toneladas, enquanto os preços oscilaram em torno de R$ 6,00 a R$ 7,00/kg. A partir de 2015/16, observa-se uma redução gradual do volume produzido, culminando no menor volume da série, de 38 mil toneladas em 2023/24, período em que o preço atingiu o recorde de R$ 20,45/kg. Nas safras mais recentes, verifica-se uma recuperação parcial da produção, estimada em 55 mil toneladas para 2025/26, acompanhada por uma acomodação dos preços para R$ 14,99/kg. Apesar dessa retração, a remuneração ao produtor permanece em um patamar significativamente superior ao observado na década anterior, refletindo os efeitos da menor disponibilidade de produto e das condições de mercado.

[Ver anexo: Imagem3 – Evolução da Produção Burley]

Na sequência, Valmor Thesing, presidente do SindiTabaco, apresentou um panorama das exportações brasileiras de tabaco, destacando os resultados do primeiro semestre, os mercados de destino e as perspectivas para os próximos meses. Os dados apresentados indicam uma mudança importante no cenário internacional do tabaco em 2026. Após o desempenho recorde de 2025, quando o Brasil registrou o melhor resultado das exportações em mais de 30 anos impulsionado pela forte demanda, o mercado passou a enfrentar um ambiente de maior oferta global.

Entre janeiro e junho de 2026, as exportações brasileiras somaram 173.608 toneladas, queda de 15,94% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a receita recuou 21,42%, totalizando US$ 1,07 bilhão. Esse desempenho está diretamente relacionado ao aumento da produção dos principais concorrentes internacionais, especialmente dos países africanos, que ampliaram sua oferta em quase 700 mil toneladas nos últimos três anos — volume superior à produção média anual brasileira —, pressionando os preços e reduzindo a demanda pelo produto nacional.

“Além do cenário de maior oferta mundial, o setor acompanha com preocupação a possibilidade de os Estados Unidos aplicarem tarifas adicionais aos produtos brasileiros. Hoje deve sair uma definição dos EUA sobre taxas adicionais e o impacto pode chegar a 35% para as exportações ao país que anualmente, em média, leva 9% dos nosso tabaco. Diante desse contexto, a expectativa do Sinditabaco é que as exportações retornem ao patamar médio dos últimos cinco anos, em torno de US$ 2,6 bilhões, ficando significativamente abaixo do recorde de aproximadamente US$ 3,4 bilhões alcançado em 2025”, avalia Thesing. No primeiro semestre, os EUA estiveram entre os principais destinos do tabaco, junto com a Bélgica, China, Indonésia, Vietnã e Turquia.

[Ver anexo: Imagem4 – Panorama das Exportações]

A programação também incluiu um balanço das ações desenvolvidas desde a última reunião da Câmara Setorial, com destaque para a participação na Expotchê e as agendas realizadas em Brasília voltadas ao acompanhamento de pautas estratégicas para a cadeia produtiva. Gilson Becker, presidente da Amprotabaco, avalia que foram momentos positivos, considerando que há a necessidade de levar o tabaco mais próximo do centro político do país. Rangel Marcon, da Fentitabaco, também apresentou informações sobre os Seminários Regionais e a audiência pública promovidos conjuntamente com a Amprotabaco, destacando resultados positivos da iniciativa.

Ao final da reunião, os participantes reforçaram a importância do diálogo permanente entre as entidades representativas e do acompanhamento das demandas do setor, visando ao fortalecimento da cadeia produtiva do tabaco no Brasil.

SOBRE A CÂMARA SETORIAL – Instalada em 12 de dezembro de 2003, em Santa Cruz do Sul (RS), a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco é um fórum consultivo vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária que reúne representantes do poder público e de entidades dos diferentes segmentos da cadeia produtiva. O colegiado tem como objetivo promover o diálogo entre os diversos elos do setor, debater temas estratégicos e propor encaminhamentos que contribuam para o fortalecimento da atividade, da produção ao comércio, com foco na competitividade, na sustentabilidade e no desenvolvimento da cadeia produtiva brasileira.

Sobre o SindiTabaco

Fundado em 24 de junho de 1947, o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) tem sede em Santa Cruz do Sul (RS), no Vale do Rio Pardo, maior polo de produção e beneficiamento de tabaco do mundo. Inicialmente como Sindicato da Indústria do Fumo, a entidade ampliou sua atuação ao longo dos anos e, desde 2010, passou a abranger todo o território nacional, exceto Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. Com 13 empresas associadas, as ações da entidade se concentram especialmente na Região Sul do País, onde 96% do tabaco brasileiro é produzido, com o envolvimento de 533 mil pessoas no meio rural, em 525 municípios. Saiba mais em sinditabaco.com.br

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