Neste Dia da Mulher Rural, conheça as ações que fomentam o empreendedorismo e o protagonismo feminino.
Outubro 2026 – As mulheres rurais desempenham um papel essencial na produção, na gestão econômica das propriedades, no uso sustentável dos recursos naturais e na preservação da cultura e tradições. Nesse sentido, o Instituto Crescer Legal vem contribuindo no despertar das jovens do campo para o interesse pelo empreendedorismo e pelo protagonismo feminino rural. Os Programas de Aprendizagem Profissional Rural e Nós por Elas – A voz feminina do campo são exemplos de iniciativas que incentivam as participantes a ocuparem seus espaços na sociedade.
A coordenadora de Desenvolvimento de Projetos, Graziele Pinton, lembra que as atividades são direcionadas ao incentivo para que as meninas sejam protagonistas e desenvolvam um olhar empreendedor para a própria vida e para os projetos que desejam desenvolver. “Partindo do autoconhecimento e do reconhecimento de suas habilidades e potencialidades, elas são estimuladas a reconhecer o lugar onde vivem como parte de sua identidade, observando as necessidades e potencialidades desse espaço”, explica. “Para desenvolver a autonomia, são incentivadas a tomar decisões, dar opiniões e assumir responsabilidades, além de desenvolver senso crítico, criatividade, capacidade de identificar oportunidades e resolver problemas e a liderança nos espaços que ocupam”, acrescenta.
O protagonismo feminino também está relacionado à ocupação de espaços de fala, à possibilidade de serem ouvidas e à disposição para escutar o outro. “São aprendizagens que fazem com que elas reconheçam suas comunidades e desenvolvam um olhar cuidadoso para esse espaço, podendo, de fato, prosperar no meio rural”, afirma Graziele. “As meninas também são estimuladas a resgatar os saberes das avós, mães, tias e outras mulheres, valorizando esses conhecimentos e fortalecendo a cultura local. A proposta é reconhecer as possibilidades do mundo atual e empreender na própria vida”, comenta.
Uma das jovens rurais que vivenciaram transformações a partir das atividades do Instituto Crescer Legal é Kellen Taís Gehrmann Karow, 19 anos, de São Lourenço do Sul/RS. Produtora rural e sucessora da família na propriedade, onde são cultivados tabaco, milho e silagem e também são criados bovinos, ela optou por dar continuidade às atividades produtivas do pai por gostar de viver no interior e enxergar perspectivas de sucesso no campo. “Como profissão, decidi focar na produção rural, pois vejo que há cada vez menos jovens permanecendo na lavoura”, diz. “Tenho bloco de produtora rural e contrato com uma fumageira dentro do Sistema Integrado de Produção de Tabaco”, conta.
Para Kellen, o Curso de Gestão Rural e Empreendedorismo, do qual participou em 2022 como jovem aprendiz, mostrou-lhe a dimensão do meio rural e reafirmou sua convicção de permanecer no campo. “Foi uma escolha porque realmente gosto da agricultura. E o tabaco é o que mais gera renda para nós, pequenos agricultores”, pondera. “Produzir fumo é uma atividade importante para todas as famílias da nossa região, que passa de geração em geração”, comenta.
A voz feminina do campo
Direcionado especificamente às meninas, o programa Nós por Elas – A voz feminina do campo tem como objetivo prepará-las para se tornarem multiplicadoras de reflexões e conhecimentos por meio de programas de rádio. Segundo Mariele Friedrich Keller, educadora social da edição de 2026 do Nós por Elas, as oficinas incentivam as participantes a reconhecerem o poder de suas vozes para inspirar mudanças. “As reflexões são aprofundadas em torno de questões como o papel da mulher e os desafios enfrentados pelas mulheres do meio rural”, conta.
Neste ano, a turma do Nós por Elas é composta por dez meninas: três do Rio Grande do Sul, cinco de Santa Catarina e duas do Paraná. Ana Flávia Nieckasz, 19 anos, de Itaiópolis/SC, é uma delas. Ela conta que aprofundou suas reflexões ao pesquisar temas relacionados à violência contra a mulher para produzir os boletins de rádio. Esse processo também ampliou sua percepção sobre a contribuição das mulheres para o sucesso da vida no campo e do agronegócio brasileiro. Temas como violência nas redes sociais, feminicídio, desigualdade de gênero e formas de prevenção e conscientização marcaram os meses de preparação para as gravações.
“O Nós por Elas traz informações importantes, faz a gente refletir sobre a realidade de muitas mulheres e ajuda a conscientizar as pessoas sobre o respeito, a igualdade e o combate à violência”, ressalta. “Participar do programa tem me feito conhecer mais sobre os direitos, entender melhor os desafios enfrentados e perceber a importância de dar voz às mulheres”, acrescenta. “Isso incentiva o protagonismo feminino e mostra como a informação e o diálogo podem contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária”, completa.
Outubro está sendo um mês de gravações para as participantes do Nós por Elas. Em breve, serão disponibilizados boletins com os seguintes títulos: Corpo, cuidado e conhecimento; Jornadas invisíveis; O que as redes sociais normalizam; e Caminhos de proteção: você não está sozinha. Após a edição, com o apoio do curso de Comunicação da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), os boletins serão divulgados em programas de rádio de entidades parceiras do Instituto, como a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e sindicatos representativos dos produtores rurais. Os conteúdos também estarão disponíveis para download no site do Instituto Crescer Legal.
Dia Internacional da Mulher Rural
O Dia Internacional da Mulher Rural foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 18 de dezembro de 2007, por meio da Resolução 62/136, e é celebrado anualmente em 15 de outubro, integrando o calendário oficial de comemorações globais. A data tem como objetivo destacar o papel e as condições de vida das mulheres nas áreas rurais. Antes disso, em 1995, a data já havia sido celebrada pela fundação internacional Women's World Summit Foundation (WWSF), durante a IV Conferência Mundial sobre a Mulher da ONU, realizada em Pequim.
Sobre o Instituto Crescer Legal - Iniciativa do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e de suas empresas associadas, o Instituto Crescer Legal tem sede em Santa Cruz do Sul/RS e já tem presença em 25 municípios dos três estados do Sul do Brasil, consolidando-se como pioneiro na aprendizagem profissional rural. Possui quatro programas principais: Aprendizagem Profissional Rural, Acompanhamento dos Egressos, Nós por Elas – A voz feminina do campo e Boas Práticas de Empreendedorismo para a Educação. Saiba mais em www.crescerlegal.com.br




